MODELO GRÁTIS
Anamnese veterinária: modelo pronto, perguntas e exemplos
Um roteiro de anamnese por sistema, o que perguntar, como perguntar e o que costuma escapar em cada bloco, mais uma ficha pronta para preencher durante a consulta.
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Roteiro de perguntas, bloco a bloco
A anamnese rende mais quando a pergunta é concreta. “Está comendo bem?” quase sempre volta como “normal”; “quanto sobra na vasilha?” volta com número. Os dez blocos abaixo estão na ordem em que costumam fluir na consulta.
- 01
Queixa principal
Pergunte: O que fez você trazer ele hoje? Desde quando está assim?
Atenção: Anote com as palavras do responsável antes de traduzir para termo técnico. “Tá quieto e não come” carrega informação que “apatia e hiporexia” perde.
- 02
Alimentação
Pergunte: O que ele come, qual marca, quantas vezes por dia? Mudou alguma coisa? Come o que cai no chão?
Atenção: Troca recente de ração, petiscos caseiros e acesso a lixo explicam boa parte dos quadros gastrointestinais agudos.
- 03
Digestório
Pergunte: Vomitou? Quantas vezes, com quê e quanto tempo depois de comer? Como está a consistência das fezes? Tem sangue ou muco?
Atenção: Diferencie vômito de regurgitação pela presença de esforço abdominal, o responsável quase sempre chama tudo de vômito.
- 04
Urinário
Pergunte: Está urinando mais ou menos? Faz força? Está bebendo mais água que o normal? Trocou o lugar de urinar?
Atenção: Poliúria e polidipsia costumam vir como “ele vive no bebedouro”. Em gato macho, disúria com esforço é urgência.
- 05
Respiratório e cardíaco
Pergunte: Tosse? Em que hora do dia? Cansa no passeio? Já desmaiou? Dorme com a cabeça esticada?
Atenção: Tosse noturna e intolerância a exercício em cão de meia-idade pedem ausculta cuidadosa antes de tratar como traqueíte.
- 06
Locomotor
Pergunte: Manqueia de qual pata? Piora depois de descansar ou depois de brincar? Consegue subir no sofá?
Atenção: Claudicação que melhora com o movimento sugere quadro articular degenerativo; que piora, quadro inflamatório agudo.
- 07
Pele e anexos
Pergunte: Está se coçando? Onde mais? Perdeu pelo em algum lugar? Tem cheiro forte? Usa antipulgas, qual e quando foi a última dose?
Atenção: Peça para o responsável apontar no animal. A localização do prurido separa alergia alimentar de dermatite por pulga.
- 08
Neurológico e comportamento
Pergunte: Teve alguma convulsão? Anda em círculo, esbarra nas coisas? Mudou o comportamento com a família?
Atenção: Peça vídeo. Descrição de convulsão por leigo é pouco confiável e o vídeo no celular costuma existir.
- 09
Histórico e profilaxia
Pergunte: Quais vacinas já tomou e quando? Última vermifugação? Já fez cirurgia? Toma algum remédio agora, inclusive natural?
Atenção: Fitoterápico e suplemento dados por conta própria raramente são mencionados sem pergunta direta.
- 10
Ambiente e contactantes
Pergunte: Mora em casa ou apartamento? Tem acesso à rua? Convive com outros animais? Algum deles está doente?
Atenção: Contactante com sinal parecido muda a hipótese na direção de doença infecciosa ou parasitária.
Ficha de anamnese veterinária
Preencha durante a consulta, com o responsável ainda na sala. Anexe ao prontuário do paciente.
Identificação
- Data e horário:
- Paciente:
- Espécie / raça / sexo:
- Idade (real ou presumida):
- Peso (kg):
- Responsável pelo animal:
- Telefone:
- Médico-veterinário(a) / CRMV:
Queixa principal
Nas palavras do responsável, com tempo de evolução.
- Motivo da consulta:
- Início dos sinais:
- Evolução (melhorou, piorou, estável):
- Já tratou por conta própria? Com quê?
Alimentação e manejo
- Alimento e marca:
- Frequência e quantidade:
- Petiscos e alimentos caseiros:
- Mudanças recentes:
- Acesso a lixo, plantas ou químicos:
- Consumo de água:
Revisão por sistemas
Registre presente, ausente ou não avaliado, “não perguntei” e “não tem” são coisas diferentes no prontuário.
- Digestório (vômito, diarreia, apetite):
- Urinário (volume, esforço, cor):
- Respiratório (tosse, espirro, dispneia):
- Cardiovascular (cansaço, síncope):
- Locomotor (claudicação, rigidez):
- Pele e anexos (prurido, alopecia, odor):
- Neurológico (convulsão, ataxia, alteração de comportamento):
- Oftálmico / auricular:
- Reprodutor (cio, castração, gestações):
Histórico e profilaxia
- Vacinas e datas:
- Vermifugação (produto e data):
- Antipulgas / carrapaticida:
- Doenças anteriores:
- Cirurgias anteriores:
- Medicações em uso (inclusive suplementos):
- Alergias conhecidas:
Ambiente e contactantes
- Casa ou apartamento / acesso à rua:
- Outros animais no domicílio:
- Algum contactante doente:
- Viagens recentes:
Síntese
O que a anamnese sugere, antes do exame físico.
- Achados relevantes:
- Hipóteses iniciais:
- O que investigar no exame físico:
Onde a anamnese entra no prontuário
A anamnese não é um documento à parte. Ela alimenta dois incisos do Art. 9º da Resolução CFMV nº 1.321/2020: o inciso III, que pede os relatos e informações prestados pelo responsável pelo animal, redação dada pela Resolução nº 1.653/2025, e o inciso V, que pede os achados importantes obtidos por meio do histórico do animal, da anamnese e dos exames clínico e laboratorial.
Na prática: o bloco 02 desta ficha vira o inciso III do prontuário, e os blocos 04 a 07 viram o inciso V. Se você já usa o modelo de prontuário veterinário, os campos batem um a um.
Perguntas frequentes
O que é anamnese veterinária?
É a etapa de coleta do histórico do paciente junto ao responsável pelo animal, feita antes do exame físico. Na Resolução CFMV nº 1.321/2020 ela aparece dentro do Art. 9º, V, entre os achados que o prontuário precisa registrar, ao lado do histórico do animal e dos exames clínico e laboratorial.
Qual a diferença entre anamnese e exame físico?
A anamnese é o que o responsável conta; o exame físico é o que você observa e mede no animal. A anamnese direciona o exame, é ela que diz onde olhar com mais atenção, e as duas entram no prontuário como registros separados.
Quais perguntas não podem faltar na anamnese?
Queixa principal com tempo de evolução, alimentação e mudanças recentes, sinais por sistema (digestório, urinário, respiratório, locomotor, pele, neurológico), histórico de vacinação e vermifugação, medicações em uso, ambiente e contato com outros animais. O roteiro desta página cobre os dez blocos na ordem em que costumam render mais em consulta.
A anamnese precisa ir para o prontuário?
Sim. Os relatos e informações prestados pelo responsável pelo animal são exigência expressa do Art. 9º, III da Resolução CFMV nº 1.321/2020, com a redação dada pela Resolução nº 1.653/2025. E os achados obtidos pela anamnese entram no inciso V.
Como fazer anamnese quando o responsável não sabe responder?
Troque perguntas abertas por perguntas de referência concreta: em vez de “ele bebe muita água?”, pergunte quantas vezes precisa encher o pote por dia. Em vez de “está comendo bem?”, quanto sobra na vasilha. E peça vídeo do sinal, quase sempre existe um no celular.
A melhor anamnese é a que você não precisa digitar.
O Alvio escuta a consulta inteira e separa sozinho o que o responsável relatou do que você examinou, já nos campos do prontuário, com terminologia veterinária em português. Você conversa olhando pro tutor, não pro teclado.
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